quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Coordenador Geral do CEN avalia de forma crítica o trato que os Gestores da SEPPIR tem dado ao Movimento Negro.


Assunto: Relatório GT do CNPIR e proposta da SEPPIR

Prezadas senhoras e senhores membros do Conselho,

Comunico que não poderei estar presente a esta importante reunião. Lamentavelmente a reunião ocorrerá num fim de semana, e até entendo o por quê, no entanto, tenho obrigações religiosas nesta data que, até tentei mudar, mas me foi impossível. Em sendo assim, informo-lhes que quem irá representar o CEN nesta reunião serão Silvana Veríssimo, de São Paulo e Silvestre Antônio, de Rondônia. 

A Coordenação Nacional do CEN vem se reunindo constantemente há vários dias, em conversas virtuais, e tomando algumas posições com relação a este processo e nós tornaremos nossa decisão pública nesta reunião do Conselho. Desde já. no entanto, adiantamos nossa total insatisfação como as relações com a sociedade civil vêm sendo conduzidas pela Seppir e acreditamos que a prática do silêncio e de imposições de determinadas posições não são saudáveis prática política.

Não conseguimos entender como um encontro como este foi deliberado de forma tão rápida sem uma consulta ao conselho sobre os critérios estabelecidos pela Comissão formada e pela Seppir para discuti-lo. Não questionaremos as representações A, B ou C, mas acreditamos que, ao colocar no mesmo pé de igualdade organizações sindicais e sócio-culturais - que tangenciam a questão étnico-racial mas não a têm como base -, com organizações do Movimento Negro que atuam diretamente no campo, estabelece-se uma relação desigual, pois não estamos falando apenas de representação, mas também de recursos para participar do evento de Salvador.

Também é insatisfatório para nós que até este momento não saibamos quem serão as organizações que virão de outros países e que agenda concreta poderá ser construída a partir deste encontro. Não nos fica claro, também, o real papel da Seppir, pois ao mesmo tempo em que se diz que este é um encontro da sociedade civil, é a Seppir o guarda-chuva institucional que chama a si a responsabilidade da realização do encontro. Por fim, não vemos como saudável que, por questões internas ao governo e à sua estrutura de sustentação político-partidária, outros órgãos ligados à esfera pública não estejam tento um papel mais central na construção deste processo.

Antes que estabeleçamos entre nós qualquer tipo de desavença, quero deixar clara minha confiança política à comissão formada para discutir o encontro de Salvador, e compreendo que o problema não está aí, mas, sim, na condução política que a Seppir vem fazendo, desde o início de sua nova gestão, tanto com o Conselho, no seu todo, quanto com as organizações da sociedade civil.

O fato de não poder ir a Brasília não significará no entanto, que não poderei acompanhar e orientar os membros do CEN, naquilo que acreditamos ser o momento de decidirmos, sob o risco de virarmos o ano com um formato de gestão que não nos agrada e não nos privilegia como organizações da sociedade civil organizada que estão hoje na ponta de discussão sobre as relações étnico-raciais no Brasil.

Atenciosamente,,



----------------------------------------------------------------------------------------------
Marcio Alexandre M. Gualberto
Coordenador Geral do Coletivo de Entidades Negras - CEN/www.cenbrasil.org.br
Membro Titular do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial/SEPPIR
Editor do Palavra Sinistra & Colunista do Afropress

Telefones:
(22) 2664-1213
MSN: marciodexango@hotmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário