sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Talentos da Bahia embarcam para Sakaide, no Japão

Vinte jovens das cidades de Maragojipe, Salinas da Margarida, Santo Antonio de Jesus, Nazaré das Farinhas, Conceição do Jacuípe, Simões Filho, Teofilândia e Vera Cruz embarcaram hoje (9/1), às 18h, para Sakaide, no Japão, onde a partir do próximo dia 16 iniciarão uma jornada que vai durar 90 dias. Os jovens vão passar pelo treinamento de transferência tecnológica da Kawasaki, empresa acionista do Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP) que há mais de 135 anos fabrica navios, além de outros equipamentos, com utilização de tecnologia de ponta.

O trajeto Salvador/ Rio de Janeiro/ Dubai/ Maneda/ Takamatsu/ Sakaide vai durar quase 48 horas e, apesar da jornada cansativa até o destino final, os integrantes do EEP embarcaram animados com a possibilidade de conhecer uma nova cultura e de aprender no estaleiro mais moderno do mundo, como foi o caso de Ricardo Gama da Silva, de 36 anos.

Casado e pai de dois filhos, Ricardo é o que se pode chamar de um verdadeiro lutador. Aos 18 anos começou sua carreira na área de equipamentos. Ao longo dos últimos anos, rodou o país e sua mais recente experiência foi a construção das plataformas P59 e P60, em São Roque. Hoje, está qualificado para ser operador de equipamento pesado do tipo “guindaste 5”, o mais alto grau de especialização da profissão.

“É muito bom ser valorizado pelo meu trabalho. Sempre lutei para conquistar o que tenho hoje e pretendo me aposentar no EEP, mas não sem antes performar aqui dentro”, afirmou entusiasmado.

Para ser escolhido pelo Estaleiro Ricardo teve que se dedicar muito. “Sempre trabalhei com responsabilidade, profissionalismo e honestidade. Sem isso o ser humano não se desenvolve. Somente com muita dedicação nossa empresa cresce e aí nós crescemos também”, resumiu momentos antes do embarque.


Ricardo, que é Testemunha de Jeová, viajou feliz, pois pesquisou que em Sakaide existe uma “Congregação Salão do Reino” e que além da capacitação poderá alimentar sua parte espiritual. “Meu coração está pequenininho por conta da minha família, mas todos me deram força por saberem que estou em busca do nosso crescimento”, finalizou.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Desabafos de Novembro...

Tenho me deparado com pessoas que, mesmo nos parecendo politizadas e desprovidas de qualquer preconceito, reproduzem (talvez) involuntariamente comportamentos de suposta superioridade ou sapiência absoluta, ao ponto de subestimar coletivos e populações territorializadas, sugerindo que essas pessoas não são capazes de perceber ou decodificar alguns símbolos e situações supostamente complexas.

Quando me deparo com alguém dizendo que o pescador, a marisqueira ou o peão de obra não consegue entender determinada palavra ou termo, mensagem ou desenho, cartaz ou comunicado, me parece que esse alguém está falando de seres incapazes de compreender qualquer coisa. Será mesmo que um pescador não saberá entender alguns termos e jargões utilizados pelos supostos intelectualizados? Será que um peão de obra não saberá compreender determinado símbolo referente a ele próprio?

Caminhamos para 124 anos de Proclamação da República. Mais um ano de reconhecimento do 20 de novembro como data de referência para a luta do povo negro. E ainda nos deparamos com acadêmicos, intelectuais, jornalistas, apresentadores de telejornais, etc. tratando o nosso povo como ineptos e dislexos. E quando esse tratamento vem de pessoas as quais temos admiração, acumulamos dentro de nós gradativos momentos de decepção.

Sabemos que o racismo é tão sutil que nos coloca na condição de coisas ruins. E quando ouvimos desde crianças que somos ruins, negativos, incapazes, muitos de nós incorporamos este discurso. Com a mesma sutileza, o racismo é construído na cabeça dos não negros como algo tão comum que esses reproduzem ao longo de suas vidas o imaginário imposto que nós negros somos pessoas com intelectualidade limitada ou quase nenhuma. E quando ouço que nem mesmo as cores da libertação da África do Sul nosso povo é capaz de identificar, é o mesmo que enfiar uma faca no meu peito. Perco a compostura, guardando a mesma sutileza do racismo, e coloco essas pessoas em seu lugar: “do meu povo entendo eu. E sei que todos eles sabem, sim, identificar as cores que reproduzimos como símbolo de nossa libertação na diáspora”.

Avançamos muito em políticas públicas de enfrentamento ao racismo e promoção da igualdade racial. Ganhamos aliados não negros no decorrer da história e da luta. Mas o que temos ainda é muito insipiente para vencer e extirpar as mazelas do racismo. E me preocupa quando penso de que forma as próximas gerações irão enfrentar esse mal.

O Estado que cria as oportunidades de emprego e acata proposições do Movimento Negro para enfrentar o racismo, é o mesmo que mata indiscriminadamente nossos jovens negros utilizando a “força ostensiva” da polícia e justificando nossas mortes como autos de resistência. Mas esta justifica não está solta no espaço. 

De fato, resistimos a cada ofensiva do racismo. Resistimos e resistiremos a cada irmão ou irmã assassinados pelos “braços fortes” do Estado. Resistiremos a cada tentativa de nos colocarmos como ineptos, burros, idiotizados. Resistiremos até a morte em busca da nossa plena liberdade. De fato e de direito!

Este novembro de 2013 não pode ser mais um novembro de festas e caminhadas festivas. Precisamos e temos a obrigação de gritarmos palavras de ordem mobilizadoras e de declamarmos discursos libertadores. Somente assim, não banalizaremos nossa luta, a luta dos nossos mais velhos e dos nossos ancestrais. O 20 de novembro precisa ficar marcado como a data de culminância anual de nossa mobilização contínua no combate ao racismo e pela promoção da igualdade racial. Esse deve ser o verdadeiro espírito do Novembro Negro. Novembro Azeviche. Seja lá o nome que queiram dar.

E eu seguirei aqui, vigilante, resistindo e defendendo o nosso povo deste Recôncavo Negro. E sei que não estou nem estarei sozinho.


Êa!!! Povo Negro!!!!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Estaleiro agita Flica em diferentes frentes

O casario colonial de Cachoeira foi o cenário perfeito para marujada, manifestação centenária que o Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP) trouxe para o encerramento da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) na manhã deste domingo, dia 27. O cortejo, conduzido pelo grupo Fragata Barca Nova de Saubara, agitou as ruas da cidade. Essa foi apenas uma das contribuições do EEP à feira literária que durou cinco dias e pela primeira vez teve uma programação voltada para as crianças: a Fliquinha.

Como um dos patrocinadores da Fliquinha, o EEP promoveu cinco sessões de contação de histórias com a atriz Cássia Vale. A empresa lançou, juntamente com a Brasil com Artes, quatro livros infantis sobre histórias populares nas comunidades quilombolas e trouxe autores quilombolas para autografar os exemplares oferecidos às crianças.

No total, foram 11 os livros lançados na feira. Escritos ou organizados pelo antropólogo Vilson Caetano, da Brasil com Artes, eles são o resultado de pesquisas em campo feitas pelo especialista a pedido do EEP. Foram oito meses mapeando o dia-a-dia de 13 quilombos da região de Maragojipe.

O levantamento de costumes e saberes dos habitantes da área de influência do Estaleiro vem sendo conduzido em diferentes frentes e foi um dos temas da mesa de debates promovida no dia 27 pelo EEP. Realizada na Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), teve participação dos professores de Lúcia Queiroz, Rosy de Oliveira e Walter Fraga, que falaram sobre “Conceituação sobre culturas de tradição e suas indicações de salvaguarda”.
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No estande que manteve na feira, o EEP recebeu cerca de 500 visitantes por dia. Além de distribuir livros para o público, o Estaleiro doou 2.600 unidades para a Prefeitura de Cachoeira. Com a doação, o EEP espera contribuir para a disseminação das tradições, ritos e costumes do povo do Recôncavo baiano. Na Flica, divulgou, em dois dias diferentes, a arte do samba de roda. Dois grupos de sambadeiras e percussionistas vieram diretamente de Santo Amaro de Purificação para alegrar as ruas da Flica.

Fonte: Coordenação de Comunicação do EEP

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Itinerário Sambador em Maragojipe

Doutora Dalva convida-Itinerário Sambador.
Dia 13 estaremos com a mestra sambadeira e ceramista D. Cadú em Maragojipe

sábado, 5 de outubro de 2013

Comitiva da SEINP visita canteiro do Estaleiro

Dez representantes da Secretaria da Indústria Naval e Portuária (SEINP) visitaram na manhã de hoje, 5/10, o canteiro de obras do Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP), em Maragojipe, no Recôncavo Baiano. A programação contou com apresentações institucional e dos projetos de educação profissional, responsabilidade social, sustentabilidade e comunicação. Em seguida, os integrantes da SEINP, que tem como titular o secretário Carlos Costa, conheceram de perto as futuras instalações do EEP, que ocupa uma área de 1,6 milhão de metros quadrados, dos quais 400 mil destinados a preservação ambiental.

Durante a visita, o site manager do empreendimento, Henrique Marchesi, e o gerente de Equipamentos, Frederico Holtz, detalharam o avanço físico das obras mar e terra, que alcançaram em setembro 30% de conclusão.


Para a subsecretária da SEINP, Fátima Barbosa, que na visita representou o secretário, o encontro foi muito importante para esclarecer dúvidas e conhecer de perto um dos mais importantes empreendimentos do país. “O EEP é uma obra grandiosa, de grande importância para o desenvolvimento da Bahia. A SEINP vem colaborando com o projeto, realizando uma articulação com as outras secretarias de governo”, garantiu a gestora.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Maragogipe: Linha hidroviária encurta distância entre trabalhadores e Estaleiro Enseada do Paraguaçu

A linha hidroviária Maragogipe - EEP entrou em operação no dia 23 de setembro, para satisfação geral dos 410 integrantes que utilizaram cinco dos sete barcos destinados à viagem. “Estão todos de parabéns, porque se comportaram muito bem em relação às normas de segurança”, elogiou Domingos Sávio, Gerente Administrativo Financeiro do CEP, que, depois de fazer a travessia inaugural, frisou ser um alívio ficar livre da estrada “em más condições”.

Ele lembrou que essa era uma reivindicação bastante justa dos trabalhadores e também um anseio da empresa, empenhada em proporcionar mais conforto e segurança às pessoas, que considera como o principal capital do Estaleiro. “Apesar de mais caro, o transporte hidroviário traz mais comodidade e benefício aos integrantes. São eles que executam a obra. Nós somos apenas gestores”, afirmou.

Com o novo meio de transporte, 11 ônibus deixarão de circular. Interessante mesmo é que os integrantes ganham quase três horas de tempo livre diariamente. “Além de dar mais atenção à família e de descansar um pouco mais, sugiro que aproveitem esse tempo de forma produtiva, quem sabe estudando ou buscando uma capacitação externa”, sugere Domingos.

O próximo passo será estender esse benefício ao horário noturno. “Isso acontecerá em breve. Também estamos estudando uma logística para encurtar a viagem de quem vem de Santo Antônio de Jesus. A ideia é que os ônibus parem em São Roque e depois os integrantes sigam de barco até o Estaleiro”, antecipa Domingos. O rio Paraguaçu vai ficar movimentado.

Fonte: Marcelo Gentil
Comunicação Estaleiro Enseada do Paraguaçu

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Lá vem ele com esse papo sobre racismo! por: George Oliveira

O racismo velado é a ordem do dia. Ele está bastante presente em nosso cotidiano. Talvez você nunca tenha parado para pensar sobre um tipo de racismo bastante sutil e estas breves palavras pretendem incentivar a reflexão sobre o assunto. Pode passar despercebido a “olho nu”, mas um olhar um pouco mais apurado consegue identificá-lo nas entrelinhas e perceber a forma como é utilizado como estratégia de dominação.
Um exemplo de como o racismo velado pode se materializar em nosso cotidiano pode ser apresentado através da imagem da população negra na mídia. Saímos de uma ausência para uma “quase presença” e isso ainda é muito pouco. Não basta estar presente nas peças publicitárias, queremos nos ver de forma positiva e construtiva.
Um cartaz de uma universidade que se diz “plural” foi postado numa rede social e gerou uma série de comentário. Nela, seis estudantes são utilizados para representar a pluralidade tida como marca da instituição de ensino paranaense. Para o psicólogo Altair Paim: “O racismo opera assim. Automático. Sutil: O preto na foto, como sempre o único, estereotipado .... não tem mochilas e distante dos estudantes...”
Estereótipo são idéias concebidas sobre determinadas pessoas ou grupos, que levam em consideração a aparência, condições financeiras, sexualidade e outros. Trata-se de um conceito que geralmente surge de forma infundado e de caráter depreciativo, onde as opiniões alheias passam como verdadeiras. O Estereótipo também faz parte do racismo, xenofobia e intolerância religiosa.
A antropóloga Taynar Pereira declarou que: “na esteira do que acima escreve Altair Paim, sigo acrescentado que creio, sobretudo, na existência de sujeitos conscientes, atuantes, operando, manipulando o racismo 24 horas por dia....São os elementos midiáticos e suas práticas discriminatória trabalhando em todo tempo e espaço....”
A professora Yara Santiago fez alguns questionamentos sobre o cartaz: “Pq o negro é o único q está de óculos escuros, escondendo os olhos, pq é único de boné, ocultando a outra parte do rosto, pq é o único que não carrega nada que o associe ao estudo, todos os outros estão numa pose que nos remete a uma atitude de confiança, esperança, vitória, pq o negro está numa posição no mínimo de deboche ou de rejeição, no caso, ao estudo? Pq? Pq? Pq?”
Confira, na íntegra, a resposta da universidade em defesa da campanha #sejaplural:
“Pessoal, boa noite.
Pedimos licença para poder conversar com vocês e explicar dois pontos que são fundamentais que fiquem claros a todos. Em nenhum momento o objetivo das ilustrações foi estereotipar os personagens – todos são alunos e sentimos muito por qualquer tipo de taxação. Também falaremos sobre o que acreditamos. Acreditamos que a pluralidade de estilos, gostos, experiências e ideias é algo incrível para o crescimento pessoal e profissional. Quando dizemos “plural” dizemos justamente o contrário de “apenas mais um”. A singularidade de cada pessoa a torna completamente especial, mas cremos, que quando fazemos juntos podemos ir além. Acreditamos que um talento pode ser potencializado quando acompanhado por pessoas preparadas. Acreditamos que juntos podemos enriquecer ideias que poderão ajudar ao próximo. Acreditamos na evolução das pessoas quando compartilham conhecimentos, experiências e ideias. Acreditamos que cada um de vocês tem todo o potencial para serem a mudança que desejam no mundo. Para saber mais sobre a pluralidade da PUCPR, acesse:www.pucpr.br/vestibular. Já diria Guimarães Rosa “viver é plural”, convidamos todos a serem também.”
Existem inúmeros exemplos a serem observados. Sabemos que racismo é crime e a estratégia de utilizá-lo de forma ofuscada tem conquistado uma eficácia ao dificultar sua identificação e denúncia. E você o que acha sobre polêmica? A imagem da campanha publicitária da universidade pode ilustrar uma “clara” relação entre o racismo velado e a estereotipação da população negra?
Seguimos vigilantes!

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George Oliveira
Economista
Militante do Movimento Negro
Mestrando do CIAGS/UFBA
grbo2003@yahoo.com.br
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