segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

ONU anuncia ações para lançar a Década Internacional do Afrodescendente.


Mesa de Abertura do Encontro da Sociedade Civil no Afro XXI, com as presenças de Elias Sampaio, Gilberto Leal (CONEN), Vera Baroni, Humberto Brown, Juca (SEGIB).

Durante o decorrer de 2011, vários eventos internacionais em alusão ao Ano Internacional do Afrodescendente aconteceram, com um maior número de atividades na América Latina. Dentre os destaques, atendo para a Cumbre de Mundial de Juventude Afrodescendente, realizada de 5 a 7 de outubro, em San José, Costa Rica, onde jovens negras e negros de todas as regiões da Diáspora debateram temas e tiraram resoluções importantes. Destaca-se, também, O Encontro Mundial de Afrodescendentes, realizado pela ODECO, em Honduras. Mesmo sendo um encontro à direita, apoiado pelo sanguinário Porfírio Lobo, presidente golpista, o evento trouxe resoluções importantes. Ainda trago com o maior dos eventos, o Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes (Afro XXI), que aconteceu em Salvador, entre os dias 16 e 19 de novembro, no Centro de Convenções da Bahia.

Deste encontro saiu a Declaração de Salvador, assinada por Chefes de Estado e representantes de Países participantes. Ainda saiu a Carta de Salvador, construída pelos Movimentos Sociais Afrodescendentes participantes do Afro XXI. Ambos os documentos estabelecem uma série de ações para os próximos 10 anos, além de impulsionar e fortalecer a ação em rede, entre os Movimentos Sociais das Américas e do Caribe, em consonância com os Movimentos Sociais do Continente Africano.

Com certeza, as resoluções do Afro XXI foram fundamentais para que a ONU estabelecesse a Década do Afrodescente, através da Resolução A/66/460, nos Parágrafos 63 e 64, a qual passará pelo processo de formulação de um plano de ação, o qual será lançado em dezembro de 2012.

Este movimento da ONU comprova que, quando se age de forma articulada, internacionalmente, incidindo nos espaços de decisões e diplomacia, se logra êxito. Esta é, sem dúvida, uma vitória do Movimento Negro na Diáspora. Que venha a Década do Afrodescendente.

Para ver a Resolução da ONU sobre a Década do Afrodescendente, click aqui: Década do Afrodescendente da ONU

Para ver a Declaração de Salvador e a Carta de Salvador, click aqui: Carta de Salvador e Declaração de Salvador

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

CONEN realizará atividades no Fórum Social Temático do Rio Grande Sul


Por Roque Peixoto

A Coordenação Nacional de Entidades Negras, CONEN, realizará atividades durante do Fórum Social Temático do Rio Grande do Sul, que acontecerá de 24 a 29 de janeiro deste ano.
As atividades visam convocar o conjunto do Movimento Negro do Brasil e das Américas para uma reflexão afim de articular uma intervenção coletiva diante a crise capitalista, os problemas sociais que acometem o povo negro e o combate ao racismo ambiental.

A primeira atividade discutirá "A Crise Capitalista, O Movimento Negro E O Combate Ao Racismo Ambiental", e acontecerá no dia 26 de janeiro, quinta-feira. A segunda atividade debaterá "O Movimento Negro Rumo À Cúpula Dos Povos Na Rio +20”, e será realizada no dia 28 de janeiro, sábado.

Segundo dirigentes da CONEN, todas as organizações do Movimento Negro estão convocadas a participarem das atividades, seguindo no caminho de firmar uma ampla unidade do movimento diante os temas.

Serviço:

"A CRISE CAPITALISTA, O MOVIMENTO NEGRO E O COMBATE AO RACISMO AMBIENTAL".

Dia: 26 de janeiro - Quinta - feira
Hora: 09h30min
Local: Quilombo Oliveira Silveira, Largo Zumbi dos Palmares, Tenda 01.


"O MOVIMENTO NEGRO RUMO À CÚPULA DOS POVOS NA RIO +20”.

Dia: 28 de janeiro - Sábado
Hora: 09h30min
Local: Quilombo Oliveira Silveira, Largo Zumbi dos Palmares, Tenda 07.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Carta a uma senhora que descansa em Inema.



Jorge Portugal
De Salvador (BA)


Presidenta querida, aqui lhe escreve um admirador de primeiríssima fila (lembra-se da expressão na Pousada do Carmo por ocasião do Afro 21? A senhora me disse que adorou e até gostaria de usá-la) e que tem a remota esperança de que estas mal traçadas cheguem ao seu conhecimento. Mas o faço como os náufragos que jogavam garrafas ao mar.


Longe de mim perturbar seu sossego, afinal se existe paraíso de verdade, o Criador deve ter-se inspirado em Inema para fazer a praia de lá. Contudo, o assunto que me traz aqui é um desses impulsos insuportáveis que ficam perturbando nossa indignação até que a gente desabafe.


Li, hoje num desses jornalões sudestinos, que a irreprovável FGV, em pesquisa recente, chegou à conclusão de que um professor no Brasil ganha sempre 40% a menos que qualquer outro profissional com o mesmo nível de graduação. Ou seja, o profissional que é ponto de partida para todos os demais profissionais tem o seu salário quase sempre reduzido à metade do que ganham os outros. Escárnio?

Ironia? Requinte de crueldade? Será que não está aí a chave de todos os nossos gargalos no campo do desenvolvimento social já que educação de qualidade é a única arquiteta e provedora do futuro? Não sou educateca (obrigado, Gaspari), não escrevo e nem falo pedagogês complicado, sou apenas um educador a cujo trabalho a Bahia (e parte do Brasil) assiste todos os dias e, ao que eu saiba, aprova.



Sei da sua paixão pela educação - aliás, a única presidente da nação que utilizou cadeia nacional de rádio e TV para saudar o início do ano letivo.Estou eufórico com o Pronatec, com a ampliação dos campi federais de ensino superior, adoro-a revelando seus livros prediletos e acompanhei - discreto mas extasiado - a senhora cantando todo o repertório de Gilberto Gil, conhecendo as letras de cor, naquela mesma Pousada do Carmo no Afro 21. "Essa é do ramo", pensei comigo!



Por isso, retorno ao assunto: que recém-formado(a) terá estímulo para abraçar uma profissão que, de cara, já o deixará economicamente inferiorizado ante as demais profissões? Num mundo cada vez mais regido pelo dinheiro, que estudante genial (de Química, Matemática, Física, Inglês), mas sem o ideal de nossa geração, sairá aos pulos da universidade para reger classe no ensino médio?



Vem aí um novo PNE e eu lhe peço encarecidamente: ponha a mão nisso. Chegue junto com autoridade e paixão e não deixe que a área econômica trate com descaso os 10% do PIB para educação. China e Índia não estão brincando. Não aceite brincadeiras também. Lembre-se de mestre Anísio Teixeira: "O ensino público de qualidade é a única máquina de fazer democracia". Com professores ganhando dignamente, essa máquina pode até voar.



Abraço baiano cordial
Jorge Portugal

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

22 de dezembro de 2011

Petrobras investirá US$ 5 bilhões no Estaleiro Enseada Paraguaçu


José Lopes
 
A diretoria da Petrobras acaba de aprovar um investimento no estaleiro do Paraguaçu de US$ 5 bilhões.  Iniciativa do Consórcio Rio Paraguaçú – composto pela Odebrecht, OAS e UTC Engenharia -, o estaleiro ocupa uma área de 160 hectares nas margens da Baía do Iguape, no município de Maragojipe.

O empreendimento tem como principal objetivo permitir às empresas parceiras participarem de licitações lançadas pela Petrobras para a construção de um conjunto de sondas de perfuração de poços de petróleo.

No final de outubro de 2010, o Ibama liberou a licença de implantação do novo estaleiro, que custará R$ 2 bilhões, dos quais R$ 1,7 bilhão serão financiados pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM). A estimativa é de que com a implantação do estaleiro sejam gerados mais de 7 mil empregos diretos na região. A Odebrecht tem 50% do projeto e os outros dois acionistas 25% cada um. A unidade terá capacidade de processar 70 mil toneladas de aço por ano e a previsão é de que as obras sejam executadas em 24 meses.

Fonte: Gente e Mercado

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

NegaLôra? – Apropriação indevida para agregar valor à sua “branquitude”.


Por Roque Peixoto

Fiquei perplexo e confuso, nos últimos dias, transitando pelas ruas de Salvador, ao ver ao longo da Avenida Tancredo Neves uma peça publicitária intitulada “NegaLôra”, fazendo uma referência à “cantora” Cláudia Leitte e ao seu show “beneficente”.

Como não sou muito de acompanhar os bastidores da cultura da Bahia, fui procurar entender o que estava acontecendo. A princípio, achei que já era o fim do mundo e 2012 tinha sido antecipado para o dia 12 de dezembro (dia em que vi a referida publicidade). Na verdade se trata de uma jogada de marketing a partir de um nome de batismo dado pelo “grande” músico baiano Carlinhos Brown.

É legítimo que artistas, músicos e musicistas se esforcem para entrar em mercados internacionais, como Estados Unidos e Europa. Mas através da apropriação indevida da identidade de um povo que sofre até os dias de hoje para garantir a sua visibilidade e combater o racismo, não é admissível.

Quando a cantora CL utiliza o termo NegaLôra como sua “nova” identidade de marketing, visa também, agregar valor ao seu produto. Esse movimento poderia ser entendido como algo positivo se não tivesse como ponto de fundo ressuscitar o “mito da democracia racial” que tanto foi responsável pelo aprofundamento sutil e velado do racismo no Brasil.

Sabe-se que a Cláudia Leitte não emplacou, mesmo sendo somente a “Lora” da música baiana, depois do rompimento com a banda Babado Novo. E mesmo se apropriando da música negra da Bahia, não avançou na mídia para além de protagonizar polêmicas em torno do teu pujante desejo de se parecer com a Ivete Sangallo, outra usurpadora da nossa identidade afro-baiana.

Quando a Daniela Mercury se apropriou das músicas do Bloco Afro Ilê Aiyê, muitos de nós já denunciávamos que se iniciava um processo de apropriação indevida dos nossos símbolos. E a consumação do fato se deu quando a mesma disse em auto e bom som: “a cor dessa cidade sou eu” (ela, Daniela M.?).

Se é pra ser a cor da cidade, que sejam Margareth Menezes, Will Carvalho, Mariene de Castro, Vigínia Rodrigues, e todas as outras lindas vozes da “NegaNegras” desta cidade de todos os Orishás.

Se a CL quer agregar valor e afirmar uma identidade (que não é dela) para vender seu produto, compreendo, mas não tolero. Hoje NegaLôra, amanhã o que será? Vamos exaltar nossas NegaNegras com suas vozes baianas cheias de africanidades.

Quanto ao Carlinhos Brown, é a prova que ainda temos muitos capitães do mato pra apavorar por aí!!!

'O Caso NêgaLôra - Cláudia Leitte'

Por Guellwaar Adún-

• Algumas situações me convencem de que todas as áreas do conhecimento deveriam incluir a semiótica em seus cursos.

Reparem o que vou dizer e vejam se estou completamente equivocado ou se ao menos ventilo outra possibilidade de encarar essa estratégia de marketing recorrente, entre muitos/as artistas brancos/as do mundo inteiro.

O racismo não se estrutura apenas economicamente. Ousaria dizer que o racismo se sustenta, sobretudo, semioticamente, e daí se retroalimenta em todos os outros campos da vida em sociedade, como um vírus mutante.

Por exemplo: A Sra. Milk, nessa campanha, não se apropria apenas de signos ou ícones da cultura Negra, à exemplo de indumentárias, musicalidades, danças e ritmos da mulher Negra brasileira. Seus publicitários foram muito mais competentes que isso. Nessa campanha, que evoca a ultrapassada e supostamente insustentável tese da democracia racial, a apresentam como a “Mulher Negra” em si; portanto, trata-se da constituição de um índice. Do ponto de vista simbólico isso é muita coisa. A Claudia Leite agora é a NêgaLôra da Bahia.

Me fez lembrar as novelas antigas citadas na Negação do Brasil de Joel Zito Araújo, o famoso Pai Thomás dentre tantos outros personagens negros que eram representados por atores brancos pintados de negros – desempregando os atores Negros. CL poderia ter aceitado o apelido de Negalora e continuado seu caminho. O xis da questão é que ela se fantasia de mulher negra e com isso ridiculariza o universo Negro feminino com seu deboche habitual.

A campanha é fantástica em termos de penetração, pois gera o que mais se busca ao se promover um produto: A propaganda e contra-propaganda espontânea. Lembram-se do famoso “Falem mal, mas falem de mim!” do velho Cabeça Branca?

Volto a dizer, do ponto vista publicitário essa peça é extraordinária, no entanto eticamente nasce encalacrada até o pescoço e talvez aí resida seu maior risco. Toda campanha publicitária opera no fio da navalha.

Ao mirar no público americano (sua meta atual), buscando legitimar sua ascendência em um batismo equivocado de Carlinhos Brown, evocando uma suposta identidade múltipla, travestindo-se de Nêgalôra, um exemplar grandiloqüente do hibridismo racial que ratifica o famoso “pode misturar” da baianidade momesca, talvez, involuntariamente, detone um canal de diálogo mais intenso sobre o camaleônico racismo brasileiro.

Meter o dedo nessa ferida racista é algo que nos interessa muito.

A compreensão de que esse genérico não carrega consigo as diversas interdições sofridas pela mulher Negra real, derruba várias máscaras. Acredito que é nessa brecha que devemos investir; na reafirmação da existência e persistência do crônico racismo brasileiro, suas transmutações e como o mesmo se constitui no cotidiano da mulher Negra brasileira.

A atitude do Brown não é menos inocente, pois revela o quanto nós, homens Negros, somos licenciosos e omissos em relação ao universo de nossas mulheres.

Dou seguimento à discussão me perguntando o que essa campanha tenta, ‘silenciomente’, dizer às nossas cantoras Negras, a exemplo de Gal do Beco, Graça Onaxilê, Juliana Ribeiro, Marcia Castro, Margareth Menezes, Mariella Santiago, Mariene de Castro, Will Carvalho dentre outras.

Não estaria CL dizendo simplesmente que pode ser o que ela quiser, até cantora Negra, se lhe der na telha? É a síndrome do “posso tudo” das sinhazinhas baianas e brasileiras.